A crise institucional envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo nesta semana após a Polícia Federal formalizar no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de suspeição contra o ministro Dias Toffoli, relator das investigações do caso. O requerimento foi encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, depois que dados extraídos do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, revelaram menções ao nome do magistrado.
Segundo reportagem do Jornal do Commercio, com base em informações da Folha de S.Paulo, a ofensiva da PF ocorreu após novas evidências indicarem possível comprometimento da imparcialidade na condução do processo. Embora Toffoli tenha afirmado a interlocutores estar “tranquilo” e classificado o pedido como baseado em “ilações”, o episódio ampliou a pressão política e jurídica sobre sua permanência na relatoria.
Diante do cenário, o deputado federal Marcel van Hattem anunciou que irá protocolar pedido de impeachment contra o ministro no Senado Federal. Para o parlamentar, a permanência de Toffoli à frente do caso compromete a credibilidade institucional e exige análise formal por crime de responsabilidade. O impeachment de ministros do STF é prerrogativa do Senado e depende da aceitação do presidente da Casa para ter andamento.
Nos bastidores do Supremo, ministros avaliam que o pedido da PF é atípico, já que a legitimidade para arguir suspeição tradicionalmente cabe à Procuradoria-Geral da República. Ainda assim, Fachin notificou Toffoli para que se manifeste oficialmente. O decano Gilmar Mendes saiu em defesa do colega, ressaltando a importância do devido processo legal.
Caso a suspeição seja reconhecida ou o ministro se declare impedido, decisões já tomadas no âmbito do inquérito poderão ser invalidadas, com impacto direto sobre buscas, depoimentos e medidas cautelares. O caso Banco Master, que já vinha gerando repercussão econômica e política, agora se consolida como mais um ponto de tensão entre Judiciário e Legislativo.