A frase provoca um debate necessário ao questionar a ideia, ainda muito difundida, de que política e religião não devem ser discutidas. Esse silêncio, longe de promover harmonia, costuma favorecer exatamente o contrário: a permanência de práticas corruptas no poder e a atuação de líderes religiosos que instrumentalizam a fé para benefício próprio. Quando temas centrais da vida em sociedade são tratados como “proibidos”, abre-se espaço para abusos, manipulações e narrativas convenientes aos que não desejam ser questionados.
Discutir política é discutir o destino coletivo, o uso do dinheiro público, as prioridades do Estado e o impacto das decisões governamentais na vida das pessoas. Já discutir religião, especialmente quando ela influencia comportamentos sociais e escolhas políticas, é defender a coerência entre discurso e prática, fé e ética, púlpito e responsabilidade pública. Evitar esses debates não torna a sociedade mais pacífica; apenas a torna menos vigilante.
A crítica contida na frase aponta para um padrão recorrente: a blindagem de autoridades e líderes por meio do tabu do debate. Enquanto cidadãos são desencorajados a questionar, grupos organizados ocupam o espaço com discursos prontos, slogans vazios e promessas morais que não se sustentam na prática. O resultado é a normalização da corrupção, da hipocrisia e do oportunismo.
O debate responsável, por outro lado, fortalece a democracia e a liberdade de consciência. Questionar não é atacar; é exigir coerência, transparência e compromisso com valores reais. Ao romper o silêncio imposto por conveniência, a sociedade recupera sua capacidade crítica e reduz o espaço para aqueles que se mantêm no poder ou na influência justamente porque não são confrontados. Discutir é um ato de cidadania — e, muitas vezes, de proteção contra a manipulação.