O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve nesta quarta-feira uma conversa telefônica com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, centrada na crise na Venezuela após a captura do ditador Nicolás Maduro por tropas dos Estados Unidos em uma operação militar não convencional que chocou a comunidade internacional. A iniciativa brasileira ocorreu “por iniciativa do lado brasileiro”, segundo informou o Kremlin, e teve como eixo principal a análise dos recentes desdobramentos políticos e jurídicos no país vizinho, além da defesa dos princípios de soberania e autodeterminação dos povos.
Esse diálogo ocorre em um momento em que a situação venezuelana se tornou um ponto de tensão geopolítica: Maduro, amplamente acusado de autoritarismo e envolvimento com tráfico e violações de direitos humanos, foi capturado e levado aos Estados Unidos, o que gerou reações diversas no cenário global. Enquanto algumas nações celebram o fim de um regime opressor, outras criticam a intervenção americana por terem considerado a ação uma violação de normas internacionais.
Na conversa com Putin, Lula reforçou a defesa de uma solução política negociada e o respeito à soberania venezuelana, posicionamento que se alinha a uma visão crítica de intervenções militares estrangeiras sem respaldo multilaterial. O presidente brasileiro, que vem promovendo conversas com diversos líderes mundiais sobre o tema, destacou a importância de esforços coordenados no âmbito das Nações Unidas e de outros fóruns diplomáticos para evitar uma escalada de conflitos na América Latina.
Líderes de direita e analistas conservadores, no entanto, argumentam que a manutenção de Maduro no poder durante anos contribuiu diretamente para a deterioração política e econômica na Venezuela, e que sua captura representa uma oportunidade para restaurar o Estado de direito e libertar um país que enfrentou colapso institucional. Eles defendem que o foco deve estar na responsabilização de governos autoritários e na proteção dos direitos humanos, e não em discursos que reduzam a legitimidade de ações destinadas a desmontar regimes antidemocráticos. Sob essa ótica, a conversa entre Lula e Putin pode ser vista como um movimento diplomático que tende a proteger interesses de regimes aliados, em vez de abraçar uma abordagem que priorize a liberdade, o bem-estar da população venezuelana e a ordem constitucional regional.